Os Atributos Incomunicáveis de Deus

ago 31, 2010 by

Os Atributos Incomunicáveis de Deus

Por Analice Guedes.

“Quem nos céus é comparável ao Senhor? Entre os seres celestiais, quem é Semelhante ao Senhor?…quem é poderoso como tu és, Senhor,com a tua fidelidade ao redor de ti?” (Salmo 89:6,8)

Seria presunção de nossa parte achar que em poucos estudos poderíamos dizer tudo que a Bíblia nos fala acerca do caráter divino. Pois quando falamos de atributos divinos, estamos discorrendo acerca do caráter do próprio Deus. Assim, buscaremos classificar aqui quais os atributos ou qualidades de Deus que ele partilha conosco (Atributos Comunicáveis) e quais ele não partilha conosco (Atributos Incomunicáveis). Essa distinção, no entanto, não é perfeita, pois, não há atributo divino completamente comunicável nem totalmente incomunicável. A Sabedoria é um bom exemplo; embora seja um atributo dito comunicável, podemos ser sábios apenas em parte; como Deus jamais! Mesmo se considerarmos todos os nomes de Deus (Yahweh – “Eu Sou”; Yahweh Rafá – O Eterno cura; Elohim – “Deus Forte” ou “Justiça Divina”; Yahweh Jireh – Deus Provedor, Adonai – “Senhor”; El Shadai – “Deus Todo-Poderoso” etc.) ou as associações da natureza com o seu caráter, como: Leão (Isaías 31:4), Cordeiro (Is. 53:7), Rocha (Deut.32:4), Manancial (Sl 36:9), etc. Ainda assim não compreenderíamos a plenitude de seu caráter, pois está muito além de nossa limitada compreensão.

1. Os Atributos Incomunicáveis de Deus

1.1. Independência. (Atos 17: 24-25, Jó 41:11, Salmo 50:10-11) 

“Deus não precisa de nós nem do restante da criação para nada; porém, tanto nós quanto o restante da criação podemos glorificá-LO e dar-lhe alegria.”

É possível que Deus tenha criado os seres humanos porque se sentia só e precisava da companhia de outras pessoas? Caso a resposta seja positiva, Deus necessitaria criar pessoas para ser plenamente feliz ou realizado em sua existência individual; o que contraria o ensino bíblico em João 17:5 e 24, quando há uma indicação de um compartilhamento de glória entre Pai e Filho e uma expressão evidente de amor e comunicação, antes mesmo da criação. Mas, se Deus, por sua independência e suficiência própria, não precisa de nós para nada, então qual a nossa importância afinal? E a criação para que serve? Em Seu pleno exercício de liberdade, Deus determinou a nossa importância escolhendo nos criar para glorificá-LO. (Is.43:7; Efésios 1:11-12; Apoc. 4:11; Is 62:3-5). O espantoso em nossa existência é que, sem precisar de nós, Ele escolheu deleitar-se conosco e nos permitedar alegria ao seu coração. (Sofonias 3:17). Isso nos faz importantes do jeito mais sublime.

1.2. Imutabilidade ou Inalterabilidade

“Deus é imutável no seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e nas suas promessas; porém, Deus age e sente emoções, e age e sente de modos diversos diante de situações diferentes.”

  1. Evidências Bíblicas: (Salmo 102:25-25; Malaquias 3:6; Tiago1:17) Deus é anterior a todas as coisas e existirá muito depois de todas elas, Ele faz mudar o universo mas, contrastando com essa mudança, “Ele é o mesmo”. Ele é imutável, com respeito ao seu “Ser” e com respeito às suas “perfeições”, ou seja, em  seus atributos e seu caráter ele é imutável (Números 23:19 cf. I Samuel 15:29).
  2. A Importância da Imutabilidade Divina: Se Deus não é imutável, então todo fundamento de nossa fé começa a ruir e nosso entendimento do universo desmorona, porque nossa fé, esperança e nosso conhecimento, dependem, em última análise de uma pessoa infinitamente digna de confiança; pois é absoluta e eternamente imutável no seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e nas suas promessas.

1.3. Eternidade ou Infinitude Divina

“Deus não tem princípio nem fim nem sucessão de momentos no seu próprio ser, e percebe todo tempo com igual realismo; ele, porém, percebeos acontecimentos no tempo e age no tempo, ou seja: o tempo não impõe limites a Deus”

O tempo não muda a Deus; não tem efeito sobre seu ser, suas perfeições, seus propósitos, suas promessas; não exerce influência sobre o conhecimento divino; nada  lhe acrescenta ou subtrai. Ele jamais aprende coisas novas ou esquece.

  1. Deus é Eterno no Seu Próprio Ser. (Sl. 90:2; Jó 36:26; Apoc 1:8 e 4:8)

Jesus afirma sua eternidade em João 8:58 quando diz: “Antes que Abraão existisse, EU SOU. Reafirmação esta do nome de Deus (Ex 3:14) “Eu Sou o que Sou” nome que implica em contínua existência presente.

  1. Deus Percebe todo Tempo com Igual Realismo (Salmo 90:4 e II Pedro 3:8)

Sua vivência não experimenta uma sucessão de momentos. È como se esse dia jamais terminasse, mas estivesse sempre sendo vivido, logo Deus tem uma vivência ‘qualitativamente distinta’ do tempo em comparação conosco. (Isaías 46:9-10). De algum modo Deus permanece acima do tempo e é capaz de vê-lo todo como presente na sua consciência.

1. Deus Percebe os Acontecimentos no Tempo e Age no Tempo (Gálatas 4:4-5)

No tempo oportuno! Atos 17: 30-31 é uma descrição de uma ação anterior no seu modo de agir, uma ação no presente e outra no futuro, tudo no  tempo.

2. Sempre Existiremos no tempo – (Apocalipse 22:5)

Experimentaremos vida eterna não como uma reprodução do atributo divino de eternidade, mas numa duração infindável de tempo; vivenciaremos plenitude de alegria na presença de Deus quando nossa vida com ele continuará para sempre.

1.4.   Onipresença

“Deus é ilimitado quanto ao espaço. Não tem tamanho nem dimensões espaciais e está presente em cada ponto do espaço com todo o seu ser; ele, porém, age de modos diversos em lugares diferentes.”

    1. Deus está presente em todo lugar – (Jer 23: 23-24; Sl. 139:7-8), com todo o seu Ser – (Atos 17 :28).
    2. Nele tudo subsiste – (Colossenses 1: 17)
    3. Deus não tem dimensões espaciais – ( 1 Reis 8:27; Isaías 66:1-2; Atos 7:48)
    4. Deus pode estar presente para: punir (Amós 9:1-4) ; sustentar (Col. 1:17); abençoar    ( Sl 16:11; João 14:23)

1.5.     Unidade

“Deus não está dividido em partes; porém,  percebemos atributos diversos deDeus enfatizados  em momentos diferentes”.

Embora as escrituras falem dos atributos de Deus, não destaca um deles como mais importante que outros. Por exemplo: Deus é amor (1 João 4:8), Deus é luz (1 João 1:15). No entanto, não significa que parte de Deus é amor e parte de Deus é luz, Ele é todo amor, todo luz.

É importante concluir este estudo, destacando que,

  • O ser divino não é uma coleção de atributos reunidos.
  • Os atributos não são acréscimos ao seu verdadeiro ser.
  • Cada um dos diferentes atributos divinos é simplesmente uma forma de descrever um aspecto do caráter ou ser total de Deus. Há uma unicidade, uma pessoa integral, unificada, integrada e infinitamente perfeita em todos esses atributos.

Questões para reflexão e aprofundamento:

  1. Vimos que em sua independência, Deus não precisa de nós para nada. Isso nos torna insignificantes? Por quê? Como isso afeta sua vida?
  2. Como considerar acerca da imutabilidade do caráter divino pode transformar a minha vida cotidiana e o meu relacionamento com Ele?
  3. Reflita sobre a unidade do caráter divino e então compartilhe como você percebe a bondade e a severidade (justiça) de Deus? Romanos 11: 22-23
  4. Como a consciência de que Deus está presente em todo lugar (onipresença), e conhece todas as coisas (onisciência), pode influenciar o seu modo de viver e de se relacionar com Ele e com os outros? Salmo 139

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Fontes Referenciais:

  • A Bíblia Anotada
  • www.monergismo.com
  • GRUDEN, Wayne. Teologia Sistemática. Ed.Vida Nova.

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3 Comments

  1. jorge

    esse estudo e uma fonte maravilhosa que Deus ti deu meu querido irmao em cristo jesus esse estudo e um ensinamento perfeito para quem que aprender mas de Deus

  2. Li o texto e gostei muito do conteudo continui assim esse é seu dom.

  3. fatima

    que deus abençoe vc querida vc me ajudou muit

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